terça-feira, agosto 17, 2004

MULTAS & MOURAS

Já na Chamusca, João Moura tinha sido multado e identificado pela policia, pois estava encostado à trincheira no decorrer das lides. Não contente com isso, no passado dia 14 na nocturna de Monforte, Moura não se intimidou em ocupar o mesmo lugar. Tal como Mourinha.

Dizem as "más linguas" que em Monforte os Mouras são quem mais ordena. Terá tido o "inteligente" medo de não mais voltar à bela vila alentejana?...


sábado, agosto 14, 2004

MOITA - O EXEMPLO

A Moita é a Moita e o resto é conversa! Segundo adianta o FARPAS, foi aprovada pela Câmara Municipal da Moita, a atribuição de um apoio financeiro no valor de 9.250€ a instituições do concelho ligadas à tauromaquia. Tendo a tauromaquia a importancia que tem para o povo português, este exemplo deveria ser seguido por muitas outras autarquias.

Outra grande iniciativa são os abonos que vão ser postos em prática já na próxima feira de Setembro. Assim dá gosto ir aos toiros! OLÉ!

quinta-feira, agosto 12, 2004

SIMÃO DA VEIGA


Foi com grande tristeza que recebemos a noticia de que o nosso querido amigo Simão se encontra ferido com gravidade no hospital, depois de ter participado (com o seu grupo) numa corrida em Beja. Muita força para a familia e companheiros, para que acompanhem da melhor maneira o Simão e o ajudem a ultrapassar rapidamente tudo isto. Deixamos aqui os nossos abraços e desejos sinceros de recuperação rápida.

terça-feira, agosto 10, 2004

TOUREIO DE SALÃO

As corridas de toiros, como alguém disse, são a melhor metáfora da vida. Ignacio Sánchez Mejías, toureiro grande, que entrou por direito próprio, leia-se morte por cornada de toiro, no Olimpo dos matadores, e cuja biografia considero das mais fascinantes que conheço, foi uma vez a Nova Iorque proferir uma conferencia a alunos universitários americanos.
Depois de uma breve introdução, o começo foi elucidativo porque situou a charla num nível bastante claro: «Vamos a hablar de Tauromaquia que es la ciencia del toreo y del toreo que es la ciencia de la vida.» Para depois continuar com uma visão generalizada e simbólica, identificando a praça de toiros com o mundo: «El mundo entero es una enorme plaza de toros, donde el que no torea, embiste. Eso es todo
Têm-se escrito óptimos livros sobre a linguagem taurina, entre os quais, não resisto a citar Lenguaje taurino y sociedad de Andrés Amorós, que descreve admiravelmente como a linguagem taurina é utilizada, não só pelos aficionados, quando se referem a uma corrida de toiros, mas também por muitas pessoas de cultura ibérica para referir-se à vida em qualquer dos seus aspectos. De facto, a riqueza e o significado exacto de alguns dos vocábulos taurinos expressam com precisão de bisturi, atitudes, situações, resoluções, estados de espirito, estados físicos dos humanos.
O toureio de salão não se reduz, portanto às evoluções técnicas e estéticas que os toureiros treinam em frente a espelhos, ou diante dos seus mestres. No nosso quotidiano, quantas vezes toureamos para a galeria, evitando arrimarmos, ou em melhor português, pegarmos o toiro pelos cornos? De salão, todos, homens e mulheres podem participar no toureio.
Comecemos pelo principio. O cite. Este pode ser feito em curto ou de largo como diz o António Caballero no seu magnifico livro Toros, toreros y públicos. Em curto, cara a cara, ou se a madame tiver demasiada casta, cita-se de largo (pelo telefone), para evitar ressaibos ou alguma investida mais destemperada. Depois, quando em presença da senhora, os movimentos devem ser suaves, nada de estirões nos enganos, deve haver temple nos primeiros lances. Se houver necessidade dar-se-ão um ou dois puyazos ou varadas, para castigar algumas más intenções. Uma vez encontrado o som da companheira(o), pode tourear-se com as duas mãos e se confiados, aventurarem-se mesmo alguns desplantes. Os mais temerários chegam a pôr-se de joelhos...
As de maior trapio, com boas frentes, exigem toureiros poderosos. Acontece muitas vezes saírem em pontas e por isso requerem normalmente praça de primeira categoria. Custam a entregar-se, mas se houver da parte do toureiro mãos baixas e muita cintura, permitem faenas grandiosas merecedoras de trofeus.
Não se deve nunca duvidar, para que aquele que investe não ganhe sentido e não comece a olhar aquele que toureia. De outra maneira pode surgir o derrote, a cornada, ou rachar-se a investida, restando apenas a querença. O que toureia deve sempre ter a noção exacta das distancias e dos terrenos, onde possa conseguir a melhor faena. Certas ganadarias gostam de ser toureadas em publico, outras em privado. Tourear bem não é enganar quem investe, mas antes desenganar. Tourear é levar o toiro por onde o toureiro quer que ele vá. Simultaneamente levá-lo por onde ele, o toiro, pensa que quer ir. Claro que a maioria das senhoras sabe perfeitamente quando tem toureiros pela frente, o que estes pretendem e para onde as querem levar. Mas isto não invalida uma grande faena. Exigem e bem, é que se lhes façam as coisas bem feitas, tal como o toiro bravo na arena exige ao toureiro. Quantas vezes vemos toureiros incapazes de dar a volta aos problemas e serem autenticamente toureados pelos toiros? No salão é igual. Muitas vezes, o que se vê é alguns armados em toureiros serem autenticamente toureados por verdadeiras matadoras. O toureio deve ter harmonia. É um quebrar de cintura, que no homem é toureio e na mulher é uma dança. Toureia-se e dança-se com a cintura. Às vezes, por uma confusão de aptidões e atitudes, algumas mulheres toureiam e alguns toureiros dançam. Mas isto é perigoso e quando acontece temos uma verdadeira tourada.
Tourear é uma arte. O futuro está para os artistas, que cada vez mais triunfam, enquanto os lidadores apenas vivem. É isto perigoso para o futuro da festa? Perigosíssimo em termos de filosofia taurina e em termos de futuro, mas lindíssimo em termos de realidade presente. A propósito, curioso o que Curro Romero disse a Cristina Sanchez no momento da alternativa:
«Cristina, toreo és caricia, por eso tu lo puedes hacer muy bien
O bom toureiro deve ter o dom de hipnotizar a rês que investe de modo a prepará-la para a sorte suprema. Esse é um momento delicadíssimo, sendo na opinião de Pepe Hilo a única sorte onde não pode haver segurança nenhuma. Mais agora com tantos problemas...
Existem toureiros, que contagiados pela moda dos recordes e estatísticas, se empenham em tourear o maior número de reses possível. A meu ver, expõem-se desnecessariamente a eventuais cornadas, na ânsia de subir no escalafón da quantidade. Fazem-me lembrar aquela deliciosa historia do Luís Miguel Dominguín, que na manhã seguinte de ter conquistado o «troféu» Ava Gardner, se levantou da cama apressadamente, e obviamente precocemente, suscitando da famosa actriz a pergunta: «Querido, donde vás tan temprano?» O toureiro, com a maior naturalidade deste mundo, respondeu-lhe: «A contar a mis amigos!»

Março de 2000

Joaquim Grave in Bravo!